COVER Guitarra #14
Em setembro de 1995 a revista Cover Guitarra lançava sua edição de número 14, trazendo uma extensa matéria sobre a segunda edição do Monsters of Rock daquele ano, que aconteceu em São Paulo, é uma entrevista nostálgica (vista nos tempos de hoje) com Hélio Delmiro, um dos maiores guitarristas brasileiros de todos os tempos.
Segue o editorial da edição.
EDITORIAL
"É o seguinte! Façamos uma comparação esdrúxula: Monsters of Rock e Expomusic 95.
Tudo bem, você vai dizer: “o que é que tem a ver uma coisa com a outra, meu irmão?” Bom, andando pelos corredores da 12° Expomusic 95 (feira de música realizada em São Paulo) deu para ver muita coisa interessante. Inclusive cerca de uns “trezentos” candidatos a Dave Mustaine e/ou a Marty Friedman. Eram garotos tocando guitarra, fazendo riffs de trash, de heavy e que traziam debaixo do queixo, além da guitarra, a influência de um dos maiores guitarristas de trash metal (ou heavy metal, como Mustaine gosta de afirmar) da atualidade. Essa dupla tem influenciado 15 entre 10 guitarristas da tribo dos que gostam de fazer “movimento com a cabeça” enquanto tocam.
É, claro que tinham que estar na COVER GUITARRA! Juntamente com uma matéria especial sobre os outros monstros que ocuparam o Pacaembu num desses fins de semana sombrios que tivemos na cidade de São Paulo. Não percam.
Além disso, você vai conhecer as principais idéias, histórias e pensamentos de um dos maiores guitarristas do mundo (não somos nós que estamos afirmando e sim 100% dos catálogos americanos de guitarristas de jazz): Hélio Delmiro.
Hélio e seu colega de “praia” Victor Biglione (que também dispensa apresentações) estão também nessa edição com colunas super espertas sobre a técnica da guitarra (aliás, aguardem um novo colunista que vai chutar o balde… ou a guitarra!)
Tem uma matéria importante sobre pedais de efeito (quem nunca teve um na vida?), solo comentado do Megadeth, Cláudio Celso (guitarra brasileira fazendo sucesso nos EUA), a feira da música e a equipe de colunistas mais competentes
da Via Láctea…"
Hélio Delmiro, Além do céu e do inferno (por Alexandre Possendoro)
Hélio Delmiro foi um guitarrista brasileiro que conquistou seu espaço colocando a guitarra elétrica no meio da música popular da época. Tocando com artistas como Elis Regina, Nana Caymmi e Djavan, além de uma extensa carreira solo.
Em entrevista publicada na revista, ele fala sobre o trabalho com outros artistas do Jazz e da MPB. Segue alguns trechos interessantes da entrevista: "O João Gilberto reinventou o violão. Ele tirou o violão do botequim, e em seguida o Baden Powel pegou o violão e fez dele um instrumento nobre. O violonista popular era considerado um vagabundo. O Baden tornou o violão um instrumento de artista, o cara que pega o instrumento, vai para o palco e... Ele é o artista! O Baden criou isso para o violão. E para a guitarra quem criou fui eu."
Quando perguntando se tem algum preconceito em relação a guitarristas de rock, Hélio responde: "Não. Eu também toquei rock. Montei um conjunto que se chamava Fórmula 7 e tocávamos no programa da Jovem Guarda."
Lembrando que lá pelos anos 80 e 90, tínhamos poucos meios de informação, principalmente em assuntos pontuais, muitas vezes o que nos salvava eram a rádios especializadas e as próprias revistas. Essa era uma das poucas maneiras de conhecer um guitarrista como Hélio Delmiro e mesmo a COVER sendo uma revista consumida em sua maioria por amantes do Rock'n roll, acredito que muito passaram a procurar seu trabalho depois dessa publicação.
MEGAMONSTROS!!! (por Regis Tadeu)
Embora Ozzy tenha sido a banda principal da segunda edição do Monsters of Rock em 1995, o Megadeth estava em seu auge, com muitos aspirantes a guitarristas agindo como seu novo ídolo, Dave Mustaine (o que pode ser visto em um rápido artigo nesta mesma edição sobre a Expo Music, que aconteceu em São Paulo), por isso a banda ganhou destaque na revista. Em entrevista, Dave Mustaine, no seu melhor jeito Rock'n roll intragável, fala um pouco sobre ser guitarrista de trash metal e as influências da banda, e é completado por Marty Friedman, que conta como é trabalhar ao lado de Dave.
"Cara, tem que ser agressivo (risos)! Bom, o fundamental são as influências... Nossa maior influência sempre foi a banda Led Zeppelin.", disse Dave Mustaine.
E embora visto de fora pareça difícil trabalhar com um artista como ele, podemos dizer que, na época, Friedman achou um jeito disse dar certo. "Dave leva mais em consideração a atitude da própria canção, enquanto que eu sou mais preocupado com a escolha das notas adequadas. Aliás, acho que esse é o principal motivo pelo qual eu me dou bem com Dave, somos uns pentelhos perfeccionistas (risos)."
Após a apresentação de grandes bandas da época, como Faith No More e Alice Cooper, Ozzy fecha o festival com grandes clássicos do Black Sabbath e de sua carreira solo, e eu fico só imaginando como não foi ouvir Bark at the Moon ao vivo em um estádio com mais de 45 mil pessoas gritando "Ozzy, Ozzy..."

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